Blog dedicado a todos os textos criados por nós. Esperamos que vós, leitores interessados,abram a mente e gostem dos nossos escritos. (Não aceitaremos quaisquer tipos de insulto!)
"Não se descuide de ser alegre - só a alegria dá alma e luz à Ironia, à Santa Ironia - que sem ela não é mais que uma amargura vazia." - Eça de Queiroz
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Epigrama I (por Bruno Teixeira)
Se algum dia eu morrer, quero pelo menos ser alguém.
Se algum dia eu morrer e minh’alma voar como uma gaivota,
quero sentir que toda a existência não foi alheia.
Se algum dia eu morrer, quero ser feliz antes do último suspiro.
Manifesto Frenético Quase Esquizofrénico (por Bruno Teixeira)
Sinto uma enorme inquietação dentro de mim
que não deixa sequer o meu organismo sossegar!
Sinto vontade de fazer muita coisa e essa “muita coisa”
é tanta coisa que o meu cérebro nem aguenta
com este ritmo alucinante e quase esquizofrénico!
Sinto vontade de correr, saltar, falar,
gritar, rebolar, esfregar-me nas paredes,
escrever, deslizar na relva, esbofetear-me,
chafurdar-me nas poças de água da chuva,
voar, ladrar,chiar, lançar-me do sétimo andar….
O meu organismo não para!
É como se sentisse algum demónio a dançar dentro de mim!
Podia considerar-me um génio, mas não posso!
Os génios são apenas malucos e eu sou maluco e meio!
O mundo é e será sempre uma bola achatada
que se acha perfeita quando, afinal de contas,
é apenas pseudo-perfeita! Amén!
Deixem-me viver, por favor!
Deixem-me viver este turbilhão de ideias e emoções,
pois quero sentir todas as coisas deste mundo
a entrarem dentro da minha alma!
O meu cérebro é uma enorme indústria metalúrgica
que não para de produzir materiais metalúrgicos em série;
a minha alma é uma nação gigantesca
que apenas é alimentada pela matéria
produzida pela indústria e pela sua fusão de filiais.
O coração é um vasto povo que dá vida à indústria
com todas as suas capacidades cognitivas e motoras
e o estômago é a fonte geradora da energia derivada
das capacidades motoras e cognitivas do povo.
Portanto, deixem-me ser diferente!
Deixem-me saltar de um lado para o outro!
Deixem-me correr como um leopardo,
saltar como um canguru, rir como um palhaço,
chorar como um bebé, rastejar como uma cobra….
A minha racionalidade não pode ficar parada
assim como a atividade de uma nação não pode ficar suspensa!
Caso contrário, tal como Tróia, Atenas e Roma,
morro e desapareço para sempre!
Não preciso de aparecer nos comícios políticos juvenis,
ir à missa beijar os pés ao reverendíssimo senhor sacerdote,
ir à escola aprender a interpretar epístolas judaicas e epigramas latinos
e de ir ao médico curar as feridas e ir ao tribunal
falar em latim com o meritíssimo senhor juíz!
Apenas preciso de viver a vida, de observar o mundo
tal como ele é e de soltar gargalhadas!
Preciso de ser feliz tal como a vizinha do terceiro esquerdo que está sempre
a cantar as músicas que ouve no rádio que tem no seu carro! Amén!
Preciso de ser feliz porque este sentimento frenético obriga-me a ter tal necessidade;
tenho essa necessidade, pois esse tal ritmo frenético não para, ou seja,
começa de manhã e dura até à noite através de uma violência que
me impõe frequentemente uma vontade enorme de ser freneticamente violento,
aquela vontade de tudo fazer sem ter tempo sequer para dar um suspiro!
Amén! Amén! Amén!
O Estilo d'um Espírito Alienado (por Joana Montenegro)
espirituoso, com uma força inabalável,
Uma postura rebelde perante as suas convicções, presente na sua felicidade,
Irradiada pela cor do brilhantismo da paixão pela Arte abstrata
E deslumbrado pela simplicidade dos pequenos prazeres.
Este, sedutor, pensando nas meras utopias, alimentando a sua fantasia,
Pondera sobre a essência da desobediência, a desordem da racionalidade,
A existência da vida expressa nas palavras sábias, duradouras
E no quão as mudanças podem ser as ondas turbulentas do caminho.
Devaneando sobre as suas vivências distintas, perdidamente,
Atenta-se na aragem repentina, fria, esmorecendo-se o seu rosto pálido,
Olvidado do encantamento das pétalas da mocidade.
Consciente do discernimento da finura que o dardeja,
Inopinadamente, é assombrado pela dureza dos seus passos
E pela sua diferença da atroz frivolidade.
Então, o espírito alienado, em vez de se vergar perante o declive dos muros,
Ostenta uma atitude de coragem, percecionando que a adaptação é fulcral
Num mundo em mudança, em que a diferença é um veículo de prosperidade.
Evasão (por Bruno Teixeira)
Onde o céu é cinza
E as aves são misséis,
Percorro os caminhos
Sem ver o horizonte
Onde o pastor passeia
Seus pequenos cordeirinhos.
Vagueando pela serra,
Perfumada pelo odor
Das cinzas das beatas
Que os lenhadores fumam,
Sinto o prazer e o amor
À essência que tanto me
Subtrai o ardor e o engenho
E a doçura da epifania,
Essa que me é tão amarga
Nas horas poéticas de puro lirismo.
E todo aquele encanto
Paira na minha alma repleta
De sentimento profundo,
De mágoa centrifugada
Pelas parábolas de um profeta
Que canta e prega ao velho mundo,
De caridade produzida pelo
Egocentrismo de um samaritano.
E todo o cântico heróico,
Enaltecido pelo choro de uma balada,
Fica eternamente gravado nos versos
De uma ode, numa esparsa interpolada
Que se perde na bucolia de um madrigal.
Corro numa rapidez quase supersónica,
Tentando fugir de toda esta mentira;
O som dos tiros e dos passos
Aproxima-se de mim com intensidade
Para impedir a minha evasão;
Memórias surgem em repetições
Do inconsciente, como se eu
Me tivesse esquecido delas.
E tudo me foge pelos dedos,
Como se fosse margarina ou óleo derramado,
Deslizando nos meus desejos mais crassos,
Cantando meus pensamentos mais sacrílegos,
Declamando o mote de uma triste canção.
Por mais profundas que as suas danças sejam,
Todo o monstro tem coração dentro de si próprio,
Todo o monstro tem alguém que ama.
Mas que faço no meio dos santos,
Eu, monstro parvo e inútil, que se diverte
A pensar e a amar pessoas que me ignoram
Enquanto tento não ser um monstro inútil?
Destino: A Riqueza da Incerteza (por Joana Montenegro)
Inconstante em cada passo dado na monotonia da vida,
Dúbio nas suas convicções, apresentando um semblante insatisfeito
E apreensivo em arriscar, cismando no seu orgulho altivo bem como pretensioso.
Conservando a sua capa de sobranceria, pressentindo os receios à superfície do tino,
Encarcerado num egoísmo profundo, alçando o olhar sob o horizonte,
Esperando a redenção divina, o perdão das imperfeições dum passado remoto
E acarretando com os erros, naturalmente, erguendo a cabeça perante os obstáculos.
Após reerguer-se da profunda reflexão sobre as repercussões dos atos condenáveis,
Deve marchar e prosseguir no seu caminho, em direção ao brilhante pôr do sol,
Sem turbulência no seu barco à vela, com o motor transparente a brilhar
E exibindo um sorriso perante a alacridade que é a substância da vitalidade!
A incerteza do futuro e o volutear duma mente complexa, repleta de ideias,
Desfiguram a realidade, melindrosa na sua natureza,
Transmitindo o idealismo e os sonhos, presentes nos traços rabiscados e desalinhados com a existência dum presente e da futuridade vindoura,
Gerando um contra-senso produzido nas cabeças, pinceladas a branco e a cinzento!
Como uma criança (por Vera Carvalho)
Que vive da simplicidade,
Com uma lágrima no olho
Por ter medo da verdade
Mas sinto, sinto demais
O que não devia sentir,
Eu não encontro a minha paz
E por isso penso em desistir
Mas como uma criança
Mantenho a esperança,
Construindo uma aliança com a vida
Que me vai dando alguma confiança
Mas tal como uma criança
Eu tenho vontade de chorar;
E a inocência na dança da criança
Faz-me querer viajar
Pareço uma criança indecisa
De qual brinquedo deve escolher,
Mas sou uma simples poetisa
Que não tem nada para me preencher
A verdade é que o amor não vence
E não há contos cheios de fadas,
Não quero que a saudade me abrace
E me aqueça esta alma gelada
Mas como uma criança inocente
Que sabe com o que vai brincar,
Eu vou tornar-me diferente
E vou saber quem devo valorizar
Filosofando perdidamente nas horas vagas (por Joana Montenegro)
A filosofia é o devaneio dos artistas nas horas vagas,
A ociosidade dos pensamentos refletidos numa lamparina iluminada
E a arca onusta de sabedoria, abundante de sonhos!
Esses sonhos, presentes na essência da retórica,
Teorizam a chama da arte do discurso
E clamam o desejo audaz dum espírito imaterial!
As palavras abstratas, exorando feições elegantes,
Demandam a manifestação da subjetividade,
Perdidas nas avenidas, repletas de Literatura e de esperança,
Rebeldes e almejantes por um Mundo mais humano!
A ociosidade dos pensamentos refletidos numa lamparina iluminada
E a arca onusta de sabedoria, abundante de sonhos!
Esses sonhos, presentes na essência da retórica,
Teorizam a chama da arte do discurso
E clamam o desejo audaz dum espírito imaterial!
As palavras abstratas, exorando feições elegantes,
Demandam a manifestação da subjetividade,
Perdidas nas avenidas, repletas de Literatura e de esperança,
Rebeldes e almejantes por um Mundo mais humano!
Subscrever:
Mensagens (Atom)






