"Não se descuide de ser alegre - só a alegria dá alma e luz à Ironia, à Santa Ironia - que sem ela não é mais que uma amargura vazia." - Eça de Queiroz

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domingo, 10 de abril de 2016

Bendito sejas, Nosso Senhor Jesus Cristo! (por Vicente Carvalho)

        Era uma vez um homem que usava sandálias e uma túnica branca e que, por isso, todos achavam que ele tinha muita pinta. Seu nome era Jesus. Sim, era aquele gajo que nasceu num celeiro rodeado por um burro e por uma vaca (e sim, a Kim Kardashian já era viva nessa altura!) e que recebeu dos reis magos ouro, incenso e mirra como presente de nascimento (tal como um verdadeiro mitra)! Era um jovem hippie que tinha muito paleio e que, por isso, dominava como ninguém a arte de contar parábolas e de criar teorias filosóficas, pois não tinha mais nada que fazer da puta da vida.
        Ia Jesus numa bela tarde pelas estradas da galileia a apreciar os campos quando, repentinamente, lhe apareceu uma pobre criança. A criança disse, chorando:
    -Jesus, tenho um ioiô todo "XPTO", mas a corda rebentou. Que faço?
Respondeu Jesus com toda a benevolência:
    - Toma estes 10 cêntimos e vai à merceario do senhor Eurico Jacobino comprar uma chiclete. Depois mastigas bem a chicla e, no fim, estica-a e cola a esfera a uma das pontas.
    - Obrigado, Jesus! Adeus, pois tenho que estar em casa para comer os cogumelos que a minha mãe fez!
    - Adeus! Que Deus Todo-Poderoso esteja no teu coração! Logo, passarei em tua casa para a tua mãe se ajoelhar perante mim e rezar uns avé-marias (if you know what I mean!)!
        Ao final da tarde, Jesus encontrou um velho amigo de infância que lhe pediu indicações.
    - Jesus, sabeis onde é a tasca do senhor Américo Franklin, pois quero comprar pão?
    - Segue sempre em frente, viras à esquerda no sinal e é lá.
    - Qual sinal, Cristo Nosso Senhor?
    - No sinal da cruz. Compra apenas um pão e vem até mim com ele na mão.
    - Para quê, Messias?
    - Para eu o multiplicar em vários!
        E o homem foi à mercearia com um grande sorriso na sua tromba. Palavra da Salvação!


 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Terrorismo (por Vicente Carvalho)

        Tenho acompanhado vários acontecimentos que decorrem no meu dia a dia, muitas delas são caricatas que, para além de me deixarem perplexo, fazem-me pensar sobre o nosso mundo, pois os seres humanos são muito imprevisíveis.
        Tenho visto a intensificação desta onda de terrorismo islâmico através do atentado realizado em Bruxelas e reparei que as pessoas, solidariamente, colocaram nas redes sociais (sobretudo no Facebook e no Twitter) posts que diziam "Pray for Brussels" (tal como fizerem com Paris aquando do ataque no Bataclan). Como se rezar fosse resolver o problema! Em vez de os políticos e o povo se juntarem para tomar medidas suficientemente boas para melhorar esta situação, enviam, em nome de todos os povos do mundo, um "fax" a Deus a pedir que ele tenha a bondade de acertar com um raio poderoso nas cabeças dos terroristas. Por que razão isso ainda não aconteceu? Porque, se calhar, Deus prefere ficar sentado no seu trono a disputar partidas de "Flappy Bird" e "Candy Crush" com o seu filho Jesus Cristo!
        Um dia destes, um amigo meu disse-me que esteve numa capela a conversar com Deus e que foi bom, pois já não tinha um boa conversa com Deus havia muito tempo. O que será que ele perguntou a Deus? Como estava Deus? Como estavam os seus filhos? Se os humanos tinham efetuado cortes na sua reforma? Se ele já pensou em usar perservativo quando faz sexo com as mulheres lá no paraíso (se somos filhos de Deus, então ele é um "playboy"!)? Se ele ainda toma viagra para conseguir fazer sexo? Aposto que o ele teve uma boa conversa com Deus (visto que Deus costuma ficar ocupado a apreciar fotos dos anjos no Instagram)!
        Voltando ao tema do terrorismo, o único terrorista que não se fez explodir nos ataques de Paris foi finalmente detido. Questionado sobre os motivos que fizeram com que ele não se detonasse, o réu afirmou que não teve coragem para o fazer. Na minha opinião, acho que ele pensou que, quando chegasse ao paraíso, em vez de ter 70 virgens à sua disposição, tivesse apenas 69. O réu pediu ainda a sua extradição para França (seu país-natal). Se calhar vai ter lá mais virgens à disposição do que na Síria!