"Não se descuide de ser alegre - só a alegria dá alma e luz à Ironia, à Santa Ironia - que sem ela não é mais que uma amargura vazia." - Eça de Queiroz

sábado, 20 de janeiro de 2018

Calcaida (por Pedro Maia)




Era uma vez, numa terra no meio do oriente,
Onde os homens escravizavam as mulheres,
E as crianças aprendiam a rebentar bombas,
Houve um grupo de pessoas que decidiu formar um grupo.
Esse grupo queria, fundamentalmente, andar à bulha
Com quem lhes aparecesse em frente,
Com uma desculpa religiosa qualquer
Que não vem em livro algum dessa estirpe.
A partir daí foram aparecendo outros grupos
Da mesma categoria que este com o grande objetivo
De aparecer nas televisões por esse mundo fora
De ser notícia, por terem feito uma palermice qualquer
Metendo medo a qualquer pessoa.
Ai vida à minha, que fiz eu para aturar esta gente
Que só pensa em barbaridades penosas a qualquer alma penada.

Poema Para Ti (por Bruno Teixeira)




Escrevo um poema para ti,
numa manhã de primavera
em que os rouxinóis cantam
e as fragatas navegam nas
águas de um rio renascido.
Escrevo um poema para ti,
doce melodia da existência,
doce encanto da mocidade
que canta o fulgor d’um
poeta, essa criatura
fingidora e pedante.
E estes versos, puras odes
de um coração imaturo que
aprendeu a amar com um
manual de instruções de
um videojogo criado no Japão.
E estas palavras, amargas
oitavas corroboradas por um
vento que sopra as nossas memórias,
as nossas lembranças de um
mundo perfeito que agora está perdido.
Que tudo isto entre no teu
olhar com a sonoridade de um canto,
como uma serenata cantada por um
trovador à sua amada nas
ruas de euforia que ele viu passar.
E esse trovador sou eu
escrevendo este poema para ti.

Abri os Olhos com Vontade (por Carolina Lopes)





Abri os olhos sem vontade, já o sol brilhava alto no céu, iluminando-me com os seus raios através da janela. O corpo ainda não respondia convenientemente aos meus comandos, a mente percorria todos os acontecimentos passados num frenesim, tentando assimilá-los, dar-lhes um sentido. Continuei deitada no chão da sala.


Os azulejos estavam frios, mas esse tipo de sensações já me tinham ultrapassado. Não sentia nada, a não ser uma dor imensa, uma sombra negra e sufocante que me envolvia. Abracei-me a mim mesma, numa tentativa desesperada de manter o peito intacto, que teimava em desfazer-se a cada memória da noite anterior.


Olhei em volta, pedaços do meu coração espalhavam-se como estilhaços de um espelho partido, e em todos eles podia ver o teu rosto, e nele, a expressão com que me tinhas deixado há umas horas. Pareciam agora dias, semanas, desde esse momento, o instante em que disseste finalmente que não me querias mais, o instante em que desististe de me amar.


Tudo deixou de fazer sentido nesse momento, o meu mundo desabou sob mim, deixaste-me sem propósito, destroçada, de joelhos nestes azulejos. Como eram perversas as memórias. Como eram atrozes e bárbaros os espinhos que se cravavam no meu peito. Mas eram tranquilizantes essas mágoas, asseguravam-me que não te imaginara, que tinhas sido real na minha vida, que em determinado tempo fui tua, embora nunca te possa ter considerado meu.


Era feliz a amar-te, era feliz a fazer de ti a minha vida, era feliz a fazer girar em ti o meu mundo. A mesma vida e o mesmo mundo que agora tinham desaparecido. Apenas restava esta sala, este chão, e os raios de sol que me expunham. Deixaste-me para sempre, mas não sem antes me despedaçares impiedosamente.


Faltam-me partes, sinto-me incompleta. Fragmentei-me aos pés de quem não me merecia. Entreguei-te o meu coração e a minha alma, sem qualquer hesitação. Agradeceste, guardaste-os e esqueceste que existiam. Esqueceste que eram tua responsabilidade, que tos cedera para cuidar, e deixaste-os abandonados. Agora que mos devolveste estão frágeis, debilitados por ter aberto mão deles tão facilmente, e a quem nunca os quis.


Gostava de poder chorar, as lágrimas têm o dom de aliviar a dor, deixando-a sair por entre o seu sal. Mas nem isso me resta. Os meus olhos estão secos pela amargura. Esgotei todo o meu pranto na ilusão de que ficarias. Agora apenas fixam a porta por onde saíste, o vazio que deixaste.


Hoje vou continuar deitada, mas amanhã hei-de levantar-me, juntar todos os pedaços de mim e sair desta casa. Hão-de voltar ao seu lugar, e apagar-te da sua memória, ficando apenas a profunda cicatriz para me relembrar que o lugar deles é em mim e não esquecidos na gaveta de alguém.

A Vida Real é Irrealista (por Pedro Maia)




A vida real é irrealista,
Tão irrealista ao ponto de te dar a entender que é real;
Tudo o que tu vês à frente é surreal, nada disto existe,
Tudo o que vês é um projeto que provém da tua mente.
Toda esta logística provém do teu imaginário,
Das tuas ilusões sobre uma vida recheada de tudo,
Mas que, no fundo, não representa nada… nada de todo.
Tudo o que conhecemos não é real, mas sim irrealista.
Olha para os animais, para as plantas, para as bactérias,
Observa todos os seres vivos deste planeta e diz-me o que vês.
afinal de contas, qual é o objetivo deles?
Será viver a sua vida segundo a sua natureza?
E nós humanos? O que somos?
Nós destruímos aquilo que pertence aos outros por direito,
Aquilo que inequivocamente pertence à Natureza.
Somos uma cambada de pétreos.

Pensamentos Soltos (Revisited) (por Bruno Teixeira)




Dos olhos negros d’uma criança
sai um olhar desconsolado,
uma alma desencantada,
um coração velho e cansado.
No puro encanto da inocência,
olha p’ra mim bem sorridente
e o canto da sua jovialidade
cai sobre meu sorriso dormente.
Do sorriso leve d’uma criança
saem palavras que tocam
na alma dos que sonham,
dos que pensam, dos que choram.
No puro encanto da inocência,
olha p’ra mim bem sorridente
e o canto da sua jovialidade
cai sobre meu sorriso dormente.
E as palavras daquela mocidade
pairam sobre ideais floridos,
pensamentos soltos que cantam
sobre aqueles choros sentidos.
Se pudesse ao menos sentir
toda aquela alegria;
se pudesse ao menos sentir
toda aquela sinfonia.
Do encanto d’uma criança
saem visões d’um espelho meu
e naquela doce alma encantada
vejo que aquele sorriso é meu.
E no puro encanto da inocência,
olha p’ra mim bem sorridente
e o canto da sua jovialidade
cai sobre meu sorriso dormente.

O Dia de Todos os Santos (por Bruno Teixeira)




O dia em que os santos desceram à Terra
Nem Deus nem o Diabo o lembram
Por entre as penumbras no alto da serra;
Não o lembram por entre as memórias
De algo pelo qual nem sequer esperam.
O dia em que os santos desceram à Terra
Das nuvens com suas auréolas douradas,
Não o lembram por entre a paz e a guerra
Os homens, as mulheres e seus devaneios
Repletos de misteriosos contos de fadas.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Nostalgia (por Bruno Teixeira)



Vai-se o tempo
E vêm as memórias,
Ficam as imagens
Que o tempo não levou;
E suas histórias
Nem o tempo que não volta
Consegue lembrar.
E o tempo, esse ditador
Das leis das perceções,
Faz o Homem chorar
Sobre o túmulo das ilusões
Que ele próprio amou.
E o tempo que não volta
Do seu requintado exílio
Jamais consegue lembrar
Suas aventuras joviais
E suas loucuras banais.
Ó deuses olímpicos,
Ó vós que sois a idealidade,
A raiva dos hecatonquiros,
Que fazeis vós no concílio
Consumindo a vossa eternidade?

Alma (por Carolina Lopes)





Como é difícil expor a alma, dar a conhecer o nosso ser, abrir o nosso mundo. Dizem que é mais fácil fazê-lo com estranhos do que com conhecidos. Concordo! Revelarmo-nos a alguém que não nos conhece retira toda a pressão do julgamento alheio. É claro que todos julgam, mas o julgar de um estranho não nos assusta tanto como os olhares dos conhecidos.
No meu caso é sempre difícil expor a minha alma, levantar o véu dos meus pensamentos. Não gosto de abrir as minhas janelas ao resto do mundo, há vezes em que as abro a estranhos e alguns conhecidos próximos, mas fecham-se logo a seguir com ventos de tempestade.
Sou uma crítica de mim mesma, mantenho conversas infinitas com a minha alma. Anulo-me nas minhas próprias ideias e observações, agraciando-as com cinismo e descrença. Tenho tanto para dizer, mas abrindo a boca para falar sinto que tudo já foi dito cá dentro. Dito, ouvido, analisado, criticado e respondido. Não resta nada para os outros, tudo é guardado para mim. Coisas boas e más amontoam-se-me na alma, escorrendo por vezes em direcção ao coração, atingindo-o com um aperto desmedido, sufocando-me, agitando as águas dentro de mim, que se escapam depois pelos meus olhos.
Deixar correr pela tinta da caneta as palavas que me povoam a mente é agradável, mas não acreditem em mim. Minto e hei-de mentir, hei-de enganar com frases e gestos inocentes, capazes de convencer os menos experientes e causar apenas breves dúvidas nos mais conhecedores.
Minto porque posso. Enquanto a minha alma grita por liberdade, finjo e iludo para quem me vê e ouve. Mentir é mais fácil, traz menos complicações. Angústias da alma e lágrimas penosas trazem perturbações e desconforto, sorrisos acalmam e não acarretam remorsos.
Engane-se quem ler este texto que vos exponho algo de mim. Isto toda a gente sabe, mas quase nenhuns reconhecem. Somos mais felizes no mundo das aparências e fazemos tudo para lá permanecer.

Perfume de Rosas (por Joana Montenegro)





No íntimo dos idealistas permanece uma vontade de irreverência,
De imaginar o mundo como um perfume de rosas,
E não a maledicência, a crueldade que envolve a realidade,
Um facto que perdura desde a Antiguidade, desde os passados remotos.
A pose da idealidade sob o céu pincelado em tons de azul,
Refletida através do sol, irradiando júbilo, através dos seus olhos vaporosos,
Transmite uma sensação de tranquilidade, de paz,
Em que a existência é o moinho dos mares por descobrir.
Os visionários do mundo, os mecanismos constantes de ideias,
Inflamados pela emoção da sua vocação, descrevendo os seus feitos,
Destacam a grandiosidade da vida, audaciosos pelo reconhecimento.
O idealismo, mais que uma forma intrínseca de viver,
É a calçada dos trilhos repletos de felicidade
E uma ilusão exacerbada, prejudicando a racionalidade destes deambulantes.

Ode aos soviéticos (por Bruno Teixeira)




Homens lutando na rua,
mulheres servindo a pátria,
crianças cantando ao luar
trovas e sonetos de encantar.
Corações ao rubro, armas ao alto,
o povo que carrega uma nação;
flores nas mãos, bandeiras ao vento,
cai o déspota, triunfa a revolução.
O calor que move a multidão
por entre o ardor d’uma frígida cidade,
o sangue que move suas emoções
por entre o espírito de fraternidade.
Corações ao rubro, armas ao alto,
o povo que carrega uma nação;
flores nas mãos, bandeiras ao vento,
cai o déspota, triunfa a revolução.
Cânticos, esparsas e madrigais,
redondilhas e métricas desiguais,
a revolta das sepulturas,
o fim dos negreiros e das escravaturas.
Odes que cantam a mudança,
ventos que sopram contra a maré,
poetas que cantam a esperança,
o som dos sinos que tocam na sé.
Corações ao rubro, armas ao alto,
o povo que carrega uma nação;
flores nas mãos, bandeiras ao vento,
cai o déspota, triunfa a revolução.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Bulício (por Pedro Maia)





Por vezes ainda me recordo de histórias que li sobre Jerusalém. Uma cidade que foi disputada por muitos países desde os egípcios até aos babilónios, de cristão até muçulmanos. De momento esta dividida entre Israel e a Palestina. O que é que Jerusalém representa para o mundo? Um centro de cultura. 
Estes dias vimos o presidente norte-americano Donald Trump a tomar decisões precipitadas e polémicas relativamente às capitais de outros países. Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel. Com esta decisão, o presidente norte-americano, acaba de rebentar um barril de pólvora e instaurar o bulício que pode chegar ao ponto de haver uma rinha entre dois povos que apresentam diferentes culturas e, principalmente, diferentes religiões. Será que foi uma estratégia de paz? Ou será que esta a tentar reatar uma guerra entre a Palestina e Israel? Qual foi o objetivo desta decisão?
Os Estados Unidos pretendem reatar conflitos antigos, declarando inimizade com o Irão, tendo em vista o favorecimento de países como Israel e Arábia Saudita. A consequência deste conflito seria vista de bom modo pelos americanos pois haveria uma contenção de forças por parte do Iraque e do Irão. Os Estados Unidos pretendem rasgar o acordo nuclear com o Irão para que este possa enfraquecer e dar mais poder aos países que o rodeiam e são aliados dos americanos dando-lhes mais poder para os conter. Será que tem tudo haver com o petróleo? Tendo em conta que, uma das moedas de troca para o negócio do petróleo é a troca de armamento entre este países. Aqui neste mundo vale tudo, principalmente no que toca aos negócios. Para acrescentar que os grupos mais radicais como Estado Islámico ou existem por culpa dos países mais desenvolvidos, e é uma das consequências do facto de haver vendas desmedidas de armamento por parte destes mesmos países.
Mudando um pouco de assunto, gostaria de falar um pouco dos brejeiros que coordenam as instituições de caridade. Associações de caridade existem muitas, mas pelo que vejo, são poucas que cumprem o seu proposito que é ajudar. Estas organizações como a Rarissimas, têm como função ajudar as pessoas necessitadas , servir de intermediário para quem queira tomar a iniciativa de contribuir com algo ou alguma coisa, promover no sentido de chamar a atenção para a existencia de determinada problemática. E onde esta o problemas dessas associações? São as pessoas que mandam nessas instituições. Essas gentes que cometem atos opróbrios mancham a imagem dessas organizações, tornando-as vitimas da desconfiança das pessoas. Espero que sejam punidas severamente. Agora vem ao de cima a podridão a que esta sociedade esta subjugada.
Finalizando, acabaria este texto com uma citação de Camilo Castelo Branco: “O homem foi sempre mau; será mau até ao fim. A sociedade parece melhor do que foi olhada coletivamente: é parte nisto a lei, e, grande parte o cálculo. Cada indivíduo se constrange e enfreia no pacto social para auferir as vantagens de o não romper; porém, o instinto de cada homem, em comunidade de homens, está de contínuo repuxando para a desorganização. Eu aceito, como puros, os corações formados na solidão, a não se dar a segunda hipótese do provérbio, que disse: homem sozinho, das duas uma: ou Deus ou bruto.”

Triste Fado (por Cristiano Silva)






Espero que este pensamento sirva, pelo menos, para me conhecerem melhor:
Portugueses incumbidos de serem os verdadeiros carrascos de todas as  virtudes encontradas no povo glorioso que é o português.
Não houvesse sequer a hipótese de um dia não conseguirmos deixar o mas de lado e perceber que somos tão poucos e tão bons que estragamos todos os caminhos de glória por existir o nosso fado, aquele fado triste, melancólico que persiste na palavra mas.
Como somos capazes de não nos juntarmos em plena assembleia da República na memória de um português que revolucionou todo o mercado nacional, criou milhares de empregos e, sim, por mera e pobre ideologia patética política, renega-se a união de um povo que não sabe cuidar dos nossos e simplesmente afasta. Afasta e renega simplesmente as virtudes dos portugueses. 
Pobre fado, que durante dezenas de anos viveu na escuridão de uma ditadura e não sabe viver na luz da liberdade. Não compreende que temos que cuidar dos nossos e sermos mais responsáveis com a democracia. 
Quem somos? Os verdadeiros carrascos de nós próprios. 
Os mesmos que não conseguem encontrar virtudes em quem cria milhares de empregos são os mesmos que prestam vassalagem à leviandade de uns charros e umas passas em nome da cultura. Será que só seremos considerados excelentes se andarmos charrados? Mais, seremos e somos espezinhafos e acusados de fascistas se dissermos estas coisas. Não seria eu socialista e defensor da liberdade e da democracia. Mas ser socialista é ser irresponsável? Ser socialista é permitir que se preste homenagem aos charros e se vote contra a criação de postos de trabalho? 
Democracia infeliz e pobre esta. Governados por mero milhão quando somos, dizem alguns, dez milhões. Onde está a responsabilidade da democracia? Abstermo-nos de participar, simplesmente ignorar que o sangue da democracia é a participação. Mas será que existe alguém neste mísero país que seja valorizado por acreditar que os portugueses não são responsáveis? Não existe. Porque simplesmente preferem o silêncio das palavras ao confronto num ringue de lama. 
Acreditar que temos o melhor do mundo no desporto e ainda assim haver um mas… Mas que raio de mas que nos persegue e não consegue elogiar a eleição do ministro das finanças português. Mas haverá aqui associado ainda o síndrome da ditadura, que só permite vassalar os outros?
Não me façam acreditar que Portugal cada vez mais parece um travesti mal amanhado que em nome das leis bíblicas se esquece dos valores mais básicos de uma democracia, gratidão e solidariedade.

Estou Barado (por Cristiano Silva)

Paula Brito e Costa, Presidente da "Raríssimas"




Estou espantado com algumas reações sobre o caso da Raríssimas. Ora bem, não é uma instituição
privada? Não fazem o que quiserem do dinheiro?
Pois, é um tema demasiado complicado para analisar porque efectivamente o estado doou dinheiro à instituição e a partir daí eles fazem o que bem lhes apetecer. É assim que funciona. Há alguma lei que impeça isso? Não há. Mas devia haver.
Não é assim que funciona na maioria das associações e instituições parecidas ou iguais a esta em todo o país? Sim é.
Mas não precisamos de sair fora do concelho de V.N. de Famalicão para perceber que é assim que funciona. Mas há alguma instituição/organização/associação/clube que seja “fiscalizada” por algum organismo público para saberem onde são aplicados os dinheiros públicos que são doados a essas organizações? Não, não existe. E espanta-me este “estamos todos barados” com o que acontece na Raríssimas.
Não há uma associação em Famalicão designada Famalicão com Futuro que recebe mais de meio milhão de euros todos os anos que se dedica exclusivamente à criação de eventos e festas como as Antoninas e outras? Sim há. Não é essa mesma associação que desse dinheiro tira para o seu ou sua presidente o ordenado mensal? Pelos vistos é verdade.
Mas podemos continuar no concelho de V.N. de Famalicão. Os clubes/associações/organizações/instituições têm que justificar a alguma instituição pública para onde vão os dinheiros públicos que lhes são doados? Não. Só têm que apresentar contas aos sócios e com jeitinho esses dinheiros doados nem entram nas contas. Também já assisti a isso.
Já agora, os treinadores, jogadores e pessoal auxiliar que recebem dinheiro dos clubes desportivos declaram-nos às finanças? A maioria não. E porque não são obrigados a declararem?
Até há associações que recebem milhares de euros anualmente que nem porta aberta possuem. E esta heim?
Mas só por passar na TVI é que as pessoas ficam “baradas”?
Denunciei várias vezes estes casos no concelho de V.N. de Famalicão e ninguém ficou “barado”.
Mas já agora, estas instituições são obrigadas a justificarem para onde vai o dinheiro? Neste momento não. Estão a cometer alguma ilegalidade? Não sou jurista mas acho que não.
Deveria haver leis que obrigassem a justificarem? Sem dúvida.
Mas continuo ainda mais “barado”, por estarem todos “barados”.

Amanhã (por Diogo Santos)




Quero sentir tudo,
Mas não sinto nada.
Vejo nos outros o que quero em mim
Mas tenho em mim coisa nenhuma além
De pensamentos demasiados.
Ter noção que não se é capaz de tudo
E tão pouco de alguma coisa
É de uma inquietante paralisia.

Tudo se perde!
A voz é nada,
A palavra é nada,
O pensamento de nada serve,
As ações nada mudam!
E ainda assim disso tudo
Fazemos um pouco.
E mais vale fazer pouco
De tudo,
Pois é esse pouco que levamos.

Nada tem significado e no fim tudo acaba.
O que tem que se fazer foi imposto
Não se sabe por quem, nem há suspeitas.
Mas assim continua isto tudo
Escondemos o que não sabemos no sótão
E tentamos ter a casa arrumada para…..
…. para amanhã.

Sanctimonia Natalis (por Bruno Teixeira)




E o natal, essa doce quimera,
a quintessência nazarena
perdida no teísmo prosaico
de uma latinidade rebelde.

E esse espírito, nobre
sensação enraizada em corações
singelos que buscam deliciar
suas almas penitentes com o pão,
o corpo e o sangue do profeta.

E eis que, naquela tão augusta ceia,
surge o cálice que une todo o nosso amor;
o orgasmo de cristo, o prazer de madalena,
a libido do arcanjo, a dor da Virgem Maria,
o espanto de Santa Ana e o terror de Aarão.

E eis que, numa saudação celestial, o primogénito
ergue o seu tinto, e prega sobre a pesca do bacalhau;
e, engolindo o seu prego no prato, canta
os hossanas miraculosos ao seu pai, o senhor do céu.

A eternidade vale o preço da filantropia, esse
grande ex-libris do bom samaritano que, cheio de
amor para dar, ajuda o bebé que dorme na manjedoura.

E pelos vistos o ouro e a mirra também….
essa metáfora imperial do oriente que,
num eufemismo, procura o poder na humildade.

A Genialidade do Talento (por Joana Montenegro)




O homem talentoso é um artista, um ator insólito no cenário da vida,
O prodígio na manipulação da fecundidade de convicções,
Diligenciando um retrato de peculiaridade e originalidade,
Representando o seu papel com uma pena e com a sua alma de loucura.

Pintando os seus traçados na alvorada, na harmonia do seu lar,
O escritor reflete sobre a existência da sua vida, paulatinamente,
Através da encruzilhada dos seus olhares num esboço incompleto,
Burlando as imperfeições das suas obras, morosamente.

Terminando os seus rascunhos, debaixo duma luz transparente,
Encerra uma viagem pelos oceanos, repletos de histórias, de drama,
Realizando os seus sonhos, acendendo a flama dos seus escopos.

O talento é arma da riqueza da invulgaridade, exibindo uma riqueza refinada,
Rompendo com os estigmas relativamente aos artistas,
Homens apaixonados pela sua profissão de encantar o Universo.

Ao Contrário (por Vera Carvalho)




Eu tenho gasto tempo
Naquilo que não me faz bem,
Eu tenho tido sentimentos
Por quem está tão além

Tento pronunciar-me e ver
Onde é que me encontro,
Mas eu ando por aí sem saber
Onde está a minha alma. Aqui só está o corpo

Eu escrevo poesia sobre alguém,
Versos que alimentam o que estou a sentir,
Eu tento conformar-me que estou bem,
Mas ultimamente não tenho vontade de sorrir

Diz Pessoa que poeta é um fingidor
Mas aquilo que sinto é deveras profundo,
Que não dá para fingir esta dor
Que invade-me e tem impacto no meu mundo

Nós somos pessoas que gastamos tempo
Naquilo que não nos faz sentir completos,
Nós somos pessoas sem sentimentos
E que achamos que o longe é estar perto

Vivemos num mundo ao contrário
Em que o sentimento perdeu a importância,
Eu pergunto-me onde está o real mágico
Para trazer quem está a uma maior distância

Mas eu reparo que isto é o mundo real
E não aquele mundo de fantasia distante,
Eu reparo que só é realmente especial
Aquilo que não nos faz sentir importantes

Ao contrário está o mundo
As palavras minhas também,
À minha volta reparo em tudo
Mas não vejo eu ninguém

Deu para reparar que as palavras
Trocadas perderam em parte o sentido,
Assim como o mundo quando se trocava
Todos achavam que estavam perdidos

Então vale a pena ser ao contrário
Se realmente perdemos parte de nós?
Achamos que assim é que é mágico
Mas na realidade acabamos sós

Epigrama III (por Bruno Teixeira)





A vida é um carrossel de emoções
que nos faz girar em torno do nosso coração;
a felicidade é um conjunto de varões
que unicamente se guiam pela razão.

Epigrama II (por Bruno Teixeira)




Quando for grande, quero ser grande.
Quero ser tão grande como a estátua da avenida da cidade!
Quero ser grande porque quero ser grande e ser grande 
não é uma ambição demasiado grande para ser concretizada!

Epigrama I (por Bruno Teixeira)




Se algum dia eu morrer, quero pelo menos ser alguém.
Se algum dia eu morrer e minh’alma voar como uma gaivota,
quero sentir que toda a existência não foi alheia.
Se algum dia eu morrer, quero ser feliz antes do último suspiro.