"Não se descuide de ser alegre - só a alegria dá alma e luz à Ironia, à Santa Ironia - que sem ela não é mais que uma amargura vazia." - Eça de Queiroz

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Estou Barado (por Cristiano Silva)

Paula Brito e Costa, Presidente da "Raríssimas"




Estou espantado com algumas reações sobre o caso da Raríssimas. Ora bem, não é uma instituição
privada? Não fazem o que quiserem do dinheiro?
Pois, é um tema demasiado complicado para analisar porque efectivamente o estado doou dinheiro à instituição e a partir daí eles fazem o que bem lhes apetecer. É assim que funciona. Há alguma lei que impeça isso? Não há. Mas devia haver.
Não é assim que funciona na maioria das associações e instituições parecidas ou iguais a esta em todo o país? Sim é.
Mas não precisamos de sair fora do concelho de V.N. de Famalicão para perceber que é assim que funciona. Mas há alguma instituição/organização/associação/clube que seja “fiscalizada” por algum organismo público para saberem onde são aplicados os dinheiros públicos que são doados a essas organizações? Não, não existe. E espanta-me este “estamos todos barados” com o que acontece na Raríssimas.
Não há uma associação em Famalicão designada Famalicão com Futuro que recebe mais de meio milhão de euros todos os anos que se dedica exclusivamente à criação de eventos e festas como as Antoninas e outras? Sim há. Não é essa mesma associação que desse dinheiro tira para o seu ou sua presidente o ordenado mensal? Pelos vistos é verdade.
Mas podemos continuar no concelho de V.N. de Famalicão. Os clubes/associações/organizações/instituições têm que justificar a alguma instituição pública para onde vão os dinheiros públicos que lhes são doados? Não. Só têm que apresentar contas aos sócios e com jeitinho esses dinheiros doados nem entram nas contas. Também já assisti a isso.
Já agora, os treinadores, jogadores e pessoal auxiliar que recebem dinheiro dos clubes desportivos declaram-nos às finanças? A maioria não. E porque não são obrigados a declararem?
Até há associações que recebem milhares de euros anualmente que nem porta aberta possuem. E esta heim?
Mas só por passar na TVI é que as pessoas ficam “baradas”?
Denunciei várias vezes estes casos no concelho de V.N. de Famalicão e ninguém ficou “barado”.
Mas já agora, estas instituições são obrigadas a justificarem para onde vai o dinheiro? Neste momento não. Estão a cometer alguma ilegalidade? Não sou jurista mas acho que não.
Deveria haver leis que obrigassem a justificarem? Sem dúvida.
Mas continuo ainda mais “barado”, por estarem todos “barados”.

Amanhã (por Diogo Santos)




Quero sentir tudo,
Mas não sinto nada.
Vejo nos outros o que quero em mim
Mas tenho em mim coisa nenhuma além
De pensamentos demasiados.
Ter noção que não se é capaz de tudo
E tão pouco de alguma coisa
É de uma inquietante paralisia.

Tudo se perde!
A voz é nada,
A palavra é nada,
O pensamento de nada serve,
As ações nada mudam!
E ainda assim disso tudo
Fazemos um pouco.
E mais vale fazer pouco
De tudo,
Pois é esse pouco que levamos.

Nada tem significado e no fim tudo acaba.
O que tem que se fazer foi imposto
Não se sabe por quem, nem há suspeitas.
Mas assim continua isto tudo
Escondemos o que não sabemos no sótão
E tentamos ter a casa arrumada para…..
…. para amanhã.

Sanctimonia Natalis (por Bruno Teixeira)




E o natal, essa doce quimera,
a quintessência nazarena
perdida no teísmo prosaico
de uma latinidade rebelde.

E esse espírito, nobre
sensação enraizada em corações
singelos que buscam deliciar
suas almas penitentes com o pão,
o corpo e o sangue do profeta.

E eis que, naquela tão augusta ceia,
surge o cálice que une todo o nosso amor;
o orgasmo de cristo, o prazer de madalena,
a libido do arcanjo, a dor da Virgem Maria,
o espanto de Santa Ana e o terror de Aarão.

E eis que, numa saudação celestial, o primogénito
ergue o seu tinto, e prega sobre a pesca do bacalhau;
e, engolindo o seu prego no prato, canta
os hossanas miraculosos ao seu pai, o senhor do céu.

A eternidade vale o preço da filantropia, esse
grande ex-libris do bom samaritano que, cheio de
amor para dar, ajuda o bebé que dorme na manjedoura.

E pelos vistos o ouro e a mirra também….
essa metáfora imperial do oriente que,
num eufemismo, procura o poder na humildade.

A Genialidade do Talento (por Joana Montenegro)




O homem talentoso é um artista, um ator insólito no cenário da vida,
O prodígio na manipulação da fecundidade de convicções,
Diligenciando um retrato de peculiaridade e originalidade,
Representando o seu papel com uma pena e com a sua alma de loucura.

Pintando os seus traçados na alvorada, na harmonia do seu lar,
O escritor reflete sobre a existência da sua vida, paulatinamente,
Através da encruzilhada dos seus olhares num esboço incompleto,
Burlando as imperfeições das suas obras, morosamente.

Terminando os seus rascunhos, debaixo duma luz transparente,
Encerra uma viagem pelos oceanos, repletos de histórias, de drama,
Realizando os seus sonhos, acendendo a flama dos seus escopos.

O talento é arma da riqueza da invulgaridade, exibindo uma riqueza refinada,
Rompendo com os estigmas relativamente aos artistas,
Homens apaixonados pela sua profissão de encantar o Universo.

Ao Contrário (por Vera Carvalho)




Eu tenho gasto tempo
Naquilo que não me faz bem,
Eu tenho tido sentimentos
Por quem está tão além

Tento pronunciar-me e ver
Onde é que me encontro,
Mas eu ando por aí sem saber
Onde está a minha alma. Aqui só está o corpo

Eu escrevo poesia sobre alguém,
Versos que alimentam o que estou a sentir,
Eu tento conformar-me que estou bem,
Mas ultimamente não tenho vontade de sorrir

Diz Pessoa que poeta é um fingidor
Mas aquilo que sinto é deveras profundo,
Que não dá para fingir esta dor
Que invade-me e tem impacto no meu mundo

Nós somos pessoas que gastamos tempo
Naquilo que não nos faz sentir completos,
Nós somos pessoas sem sentimentos
E que achamos que o longe é estar perto

Vivemos num mundo ao contrário
Em que o sentimento perdeu a importância,
Eu pergunto-me onde está o real mágico
Para trazer quem está a uma maior distância

Mas eu reparo que isto é o mundo real
E não aquele mundo de fantasia distante,
Eu reparo que só é realmente especial
Aquilo que não nos faz sentir importantes

Ao contrário está o mundo
As palavras minhas também,
À minha volta reparo em tudo
Mas não vejo eu ninguém

Deu para reparar que as palavras
Trocadas perderam em parte o sentido,
Assim como o mundo quando se trocava
Todos achavam que estavam perdidos

Então vale a pena ser ao contrário
Se realmente perdemos parte de nós?
Achamos que assim é que é mágico
Mas na realidade acabamos sós

Epigrama III (por Bruno Teixeira)





A vida é um carrossel de emoções
que nos faz girar em torno do nosso coração;
a felicidade é um conjunto de varões
que unicamente se guiam pela razão.

Epigrama II (por Bruno Teixeira)




Quando for grande, quero ser grande.
Quero ser tão grande como a estátua da avenida da cidade!
Quero ser grande porque quero ser grande e ser grande 
não é uma ambição demasiado grande para ser concretizada!